A sua empresa não é o Google. Entenda por que copiar ações de engajamento nas empresas não funciona

O Google é a melhor empresa para se trabalhar no mundo. Pelo menos é o que dizem estudos como o ranking da Fortune, que analisam ano a ano as políticas implementadas em prol dos funcionários, que são revertidas para a própria organização, por companhias em todos os continentes. Por esse motivo, e também pelo marketing aplicado em cima desse reconhecimento pelo próprio Google, é que muitas marcas têm se espelhado nele quando pensam em ações de engajamento nas empresas.

 

Nada mais natural do que estabelecer como referência a empresa número um em ambiente de trabalho, não é mesmo? Tanto que é possível enxergar com certa frequência locais de trabalho com puffs, mesas de sinuca e até aquela cervejinha no fim do expediente, principalmente no meio da tecnologia, que tende a copiar mais facilmente essas ações de engajamento nas empresas. O erro, contudo, está exatamente nessa cópia, que não se restringe às startups e scale-ups, mas repete-se no ambiente organizacional em maioria.

 

Hoje, a maneira mais fácil, ágil e em conta de colocar em prática ações de retenção e de engajamento em uma empresa é “surrupiando” a estratégia implantada em outra. Nesse ímpeto de acreditar que o que deu certo para uma realidade corporativa pode dar certo para a sua própria, empreendedores e, por vezes, até gestores de Recursos Humanos (RH) desconsideram o próprio histórico da empresa. Além de ignorar a cultura corporativa a que pertencem, ignoram o tamanho da empresa, o segmento em que ela está inserida, o perfil dos funcionários e até cultura do próprio país sede.

 

A empolgação com a efetividade dessas ações em outras empresas acaba cegando os tomadores de decisão, que pensam que certamente as mesmas estratégias terão a mesma efetividade em suas empresas. Podem ter? É claro que sim. Mas arriscamos dizer que em 99% dos casos não terão. O que é bastante assustador, apesar de naturalizado. Em algumas situações, a prática de copiar as ações de engajamento nas empresas tem até nome refinado: benchmarking, que é uma comparação de produtos, serviços e práticas, em uma maneira bem simplificada.

 

Não há, contudo, fórmula mágica para ações de engajamento nas empresas. Isso porque para cada problema existente em uma corporação existe uma solução distinta. Portanto, antes de adotar soluções “cool” para o seu negócio, preste atenção nos seguintes itens:

 

Estude o seu próprio público interno

 

Antes de buscar ações de engajamento nas empresas, volte-se aos seus funcionários. Você conhece-os bem? Sabe onde querem chegar e, ao mesmo tempo, oferece subsídios para esses objetivos? A estratégia de retenção de talentos passa por esse diagnóstico, que só é feito a fundo por especialistas e com tempo.

 

Procure saber sobre hábitos, atividades diárias e preferências. Nesse mapeamento, identifique quem realmente está dando o seu melhor e quem está “empurrando com a barriga”. As ações de engajamento e retenção devem levar em consideração esses dois grupos de funcionários. Também tente ver a pessoa por trás do número.

 

Explicamos neste post como fazer uma pesquisa de engajamento efetiva. O conceito abrange um conjunto de conexões racionais e emocionais, que envolvem conscientização, compromisso, pertencimento, orgulho e, por fim, compartilhamento. Uma vez compreendida tal complexidade, fica evidente a necessidade de conhecer para quem se está trabalhando.

 

Mesmas insatisfações, outras ações

 

É bem possível que, depois desse estudo, você chegue às mesmas insatisfações de quem trabalhava no Google antes das ações de engajamentos pensadas para a empresa. Mas ainda assim isso não quer dizer que a estratégia aplicada por lá será assimilada pela sua companhia, principalmente se estivermos falando de um pequeno negócio. Afinal, não há como comparar investimentos e lucros possíveis de serem manejados igualmente nos dois cenários.

 

Mas, de qualquer forma, funcionários desejam treinamento e oportunidade de crescimento. Mais do que isso: almejam estabilidade nas ações de engajamento nas empresas, ou seja, vislumbram atividades duradouras, que não desmoronem a partir do primeiro sinal de crise.

 

Não demonize o benchmarking

 

Nossa língua (ou nossos dedos) estava afiada acima quando falamos em benchmarking, mas precisamos reconhecer que essa é uma ação que pode funcionar quando voltada ao engajamento. Desde que você olhe para ela do jeito correto.

 

Com isso, queremos dizer que essa estratégia pode fomentar a criatividade no momento de pensar em atividades focadas na retenção. Dispense o benchmarking como guideline de todo o processo. Visite uma empresa de porte parecido com a sua, que esteja inserida no mesmo segmento, e que, principalmente, tenha uma cultura e perfil parecidos com os seus. Procure saber como ela faz para gerir os talentos. Compare com a sua realidade e veja se se aplica.

 

Ações de engajamento nas empresas são personalizáveis

 

Ter um ambiente de trabalho descolado pode ser bastante interessante para o bem-estar de seu time. Mas também pode não ser o mais importante é fazer alguns perfis se sentirem desconfortáveis. Afinal, de que adianta ter um videogame à disposição dos colaboradores em uma sala, se eles não tiverem tempo para utilizá-lo por que tem de ficar atrás de metas inatingíveis, sem remuneração compatível ou impossibilidade de crescimento dentro da empresa?

 

Procure identificar o que está ao seu alcance e, ao mesmo tempo, o que faz o seu estilo quando o assunto são ações de engajamento nas empresas. Pense nisso como algo personalizável. E, antes de tudo, duvide de todas as práticas que as empresas por aí dizem ter – até mesmo o Google. Pense que nem todo funcionário pode estar disposto a morar dentro da empresa onde trabalha.

 

As ações de retenção podem ser mais simples do que você imagina. O complexo é identificá-las, além de perceber que não se faz do dia para a noite. Se ficar com alguma dúvida, entre em contato conosco.